sexta-feira, 18 de abril de 2008

Beatnik


..."Alvah, o seu problema é que você não pratica o seu zazen noturno o bastante, principalmente quando faz frio lá fora, o que é muito melhor, além disso você deveria se casar e ter filhos mestiços, manuscritos, cobertores feitos em casa e leite materno sobre o seu tatame alegre e esfarrapado como este aqui. Arrume uma cabana para morar no mato não muito longe da cidade, gaste pouco para viver, enlouqueça em um bar de vez em quando, escreva e caminhe pelas montanhas e aprenda a serrar tábuas e converse com velhinhas, seu grande tolo, carregue muita madeira para elas, bata palmas em altares, consiga favores sobrenaturais, faça aulas de arranjos florais e plante crisântemos ao lado da porta, e se case peloamordedeus, arrume uma moça humana gentil, inteligente e sensível que não liga para os martinis toda noite nem para todo aquele maquinário branco na cozinha"...


Trecho extraído de "Os Vagabundos Ilmuninados" (Dharma Bums), de Jack Kerouac, em momento de conversa movida a saudável bebedeira. O mundo ameaçou guinadas fantásticas, os beatniks tomaram dianterias inacreditáveis (esse livro, por exemplo, é de 1958), conseguiram criar novos pensamentos e atitudes, modificaram num certo momento os rumos da humanidade, mas hoje em dia parece que todo essa movimentação foi quase em vão. Vivemos instantes da pior globalização; mas ainda existem os livros e as bebidas...

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