Azarão
Para aqueles que não conhecem mais a fundo esses tais "críticos independentes" (e me incluem nesse rol), uma das certezas mais inquestionáveis versa sobre suas opiniões quando o assunto é "Noite do Oscar". Os que olham esse pessoal de maneira respeitosa/apavorada/jocosa, do lado de fora, imaginam que Berlim, Cannes, Veneza e afins
são somente o que interessa como avaliação respeitável de obras cinematográficas - conseqüentemente, filmes exibidos nesses festivais também seriam as únicas obras de algum valor, ou merecedoras de atenção. Portanto, Oscar e sua noite de festa seriam o que de pior o cinema poderia oferecer ao mundo. 
Quanto ao respeito aos festivais europeus citados acima é até uma verdade quando se pensa neles como alvo de atenção especial desse "povo cinéfilo" atrás do que mais relevante e instigante se faz na área. Mas não é menos verdade que a noite de festa da indústria do entretenimento - no país do capitalismo (do apavorante palhaço "R's" como representante risonho da hiper-rede de lanchonetes "M's"), onde se faz filmes como se numa linha de montagem - acaba sempre por angariar a atenção desse mesmo pessoal considerado "ranzinza" que, com ardor e fervor, se posta feliz da vida frente a televisores, normalmente em turma, na véspera do pior dia da semana: as tão famigeradas segundas-feiras. Esquecem-se do inevitável sono e mau-humor que farão “as vezes” de partner do dia seguinte, mas não deixam de acompanhar a premiação.
Há um "prazer cinema" nesse povo cinéfilo/críticoindependente que é assustador e admirável de tão potente. A imagem que se faz deles (da gente) é equivocada quando não se percebe que são mais abertos a experiências do que qualquer um, e que nutrem respeito por qualquer lugar que faça da arte opção preferencial - e não daria, portanto, para imaginar os USA (com um monte de cinema maravilhoso, aliás) e seu Oscar fora dessa alça de mira.
O mais engraçado, porém, são algumas situações que ocorrem do lado de cá da telinha nessas noites de domingo. Sei de várias reuniões que ocorrem com o intuito de fazer da longa noite da entrega das estatuetas douradas um evento– em nenhum momento, até agora, disse que a cerimônia era bacana na íntegra, ou orgânica, ou pouco kitsch (inclusive acaba por ser um desafio com seu alongado tempo ao bom humor, à luta contra o sono...) -, mas vou me referir às organizadas pelo pessoal aqui do meu site (cinequanon), para tentar chegar a um fim razoável da razão de ser desse post.
O site é novo – fará três anos ainda -, mas nos reunimos desde que existimos como grupo para acompanhar a festa. E um inevitável bolão passou a se organizado com intuito de fazer do fim de noite de um de nós algo mais aprazível... Bacana mesmo no primeiro ano foi o desfecho inusitado que virou mito entre os pobres coitados que não tiveram a oportunidade de estar presentes. Faltando apenas a última premiação que era a de melhor filme, um de nossos representantes – não vou citar nomes, mas digo que o rapaz parece uma espécie de Clark Kent com sotaque de Guararema – já colocou o dinheiro resultante das apostas no bolso, dado o improvável que seria o de ser ultrapassado somente por um outro (no caso, novamente sem denunciar mais diretamente, nosso mais jovem e beberrão nipônico) que havia apostado como vencedor no improvável (impensável, impossível, inacreditável...) “Crash – no Limite”, de Paul Haggis. Bem, ano de 2006, quem conhece um pouco de cinema já deve ter percebido o que aconteceu: o moleque incrédulo e rindo – pensando nas cervejas que iria beber com a “fortuna”; nosso Clark Kent interiorano sem graça e tendo que tirar o dinheiro do bolso; o resto do povo rindo e embasbacado; e o mito (ou lenda) criado.
Tudo isso, na realidade, para dizer que tenho sido sempre o último ou penúltimo nesses bolões – não sei se entendo menos de cinema do que os outros, se sou mais azarado, ou se falo mais com o coração do que com estudos do assunto e lógica. Tudo isso pra dizer que próximo domingo tem Oscar de novo, tem reunião de novo, tem bolão de novo e novamente eu, despreparado. Não vi quase nenhum filme em competição aos prêmios mais importantes. Pensei que hoje, quinta-feira, iria tirar algo do atraso, mas até agora (17,30h), ainda não tive chance. Já me vejo novamente como azarão, tentando dar chutes, pensando no que ouvi dizer, no que imagino como mais importante, no sei-lá-o quê. Aceito palpites sinceros (rs). Ou rezas.

2 Comentários:
Te confesso que eu também nunca acerto nada, então colaboro com a reza. E digo mais, acho ótimo que assistam ao oscar, acho ótimo assistir também, apesar de não ter muita paciência pra toda aquela enrolação e mania de americano de ser engraçadinho e não parar de fazer piada (que geralmente pra nós, brasileiros, não tem nenhuma graça). Mas boa sorte no bolão. Abraço.
Poxa. E eu que sempro passo asssitindo as festividades em meu quarto solitariamente.
Mas eu sou fanático pela festa hollywoodiana, e divirto-me bastante.
E palpite: Tilda Swinton para atriz coadjuvante.
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